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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nasce Paulo Leminski.

24 de agosto de 1944, nasce Paulo Leminski.

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
Mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
[P. Leminski - Poetas Velhos ]

Mosaico de Cida Carvalho, paranaense residente no Distrito Federal. Imagem do site Mostra Musiva de Brasília



Inspiração!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A liberdade, sim, a liberdade!


A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…

A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
Passos todos passinhos de criança…
Sorriso da velha bondosa…
Apertar da mão do amigo sério…
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-me no púcaro velho de ao pé do pote.
Da casa do campo da minha velha infância…
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?


ÁLVARO DE CAMPOS
17/ 8/ 1930


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Seco seca

a Glauber C. Rocha*

Seca do sertão
vista do meu mundo
pela televisão.

Seca
seco.

Ver,
não é sentir.
Saber,
não é sentir.

Seca
seco.

No meu mundo
apenas a imagem
distorcida.

Seca
seco.

Não é o sertão.
É imagem de televisão.
Seca.

Vista assim,
Seco.




Músicas para os ouvidos:
Leitura para os olhos:
Sertões - E. da Cunha
Vidas Secas - G. Ramos
Grande Sertão Veredas - G. Rosa


*Glauber Rocha, bahiano, recém-amigo, recém-irmão.Uma pessoa incrível. Uma inspiração. Dedico, com todo carinho de uma irmã um pouco mais velha, mas que nem parece tanto assim, este escrito-solto-bobo-curto-seco. De uma menina da CapitaR do país ao menino do sertão da Bahia. Que me abriu os olhos e ensinou muitas coisas em tão pouco tempo. Já o adotei, meu irmão de coração.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Esperar por que(m)?

Vivo nessa ansiedade
que me consome
por dentro
por fora

na espera
de algo
de alguém
de ninguém.

Na espera
de não ter mais
que esperar
por nada e
por ninguém!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Traduzir-se Ferreira Gullar

Parafraseando a aula de OPT, Ferreira Gullar:



TRADUZIR-SE




Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Trecho: Albert Camus

Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro.
Não espere o juízo final.
Ele realiza-se todos os dias.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Trecho: Cartola.

Ai, se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero!
Escravizaram, assim, um
pobre coração
É necessária a nova abolição
Pra trazer de volta a minha
liberdade



[Autonomia - Cartola]

domingo, 30 de maio de 2010

Ai-de-verbos em-mente.

Pensar demasiadamente
e esquecer.

Falar exageradamente
sem dizer.

Ler exaustivamente
sem compreender.

Ver,
ouvir,
sentir...

superficialmente
NÃO (a)profund-a-mente!

domingo, 16 de maio de 2010

Só por achar

Por achar
que tinha importância,
acabou tendo.

Desesperos, desilusões
deslizes e decepções...
só por achar, acabou sendo.

Por achar, acreditou.
Por acreditar, foi...

(des)ilusão,
(in)felicidade,
paixão.

Tudo isso
só por achar.

sábado, 8 de maio de 2010

Poemas Visuais - Arnaldo Antunes

"Invento"


"Metade"

"Vejo Miro"

Site: http://www.arnaldoantunes.com

Poema-bobagem (ou não?!)

Ao extremo:
Ora vivendo, ora morrendo
por fora e por dentro
Enlouquecendo!


Na medida:
Quanto?
Nem mais, nem menos.
Na medida, por favor!



Quase uma promesa:
Nunca mais fazer, dizer
e escrever isso!

[03/05/2010]

-

Penso, penso, penso...quase enlouqueço. Faço um nó.
Por um minuto, sinto que tudo ficou claro. E uma decisão está tomada.
Esta que juro que não terá volta e nem desistência.
Basta apenas passar mais um minuto, para não saber mais nada...

[02/05/2010]

-

Queria amar (não) loucamente...

nem digo que loucamente,
muito menos amar, necessariamente.

A sensação de amar,
de enlouquecer por amor...


BASTAR-ME-IA!

[01/05/2010]

Crítica de um poema, um poema de uma crítica

"A poesia é o inutensílio. A única razão de ser da poesia é que ela faz parte daquelas coisas inúteis da vida que não precisam de justificativa. Porque elas são a própria razão de ser da vida. Querer que a poesia tenha um porquê, querer que a poesia esteja a serviço de alguma coisa é a mesma coisa que querer que o orgasmo tenha um porquê, que a amizade e o afeto tenham um porquê. A poesia faz parte daquelas coisas que não precisam de um porquê." (Paulo Leminski)


Quantas ideias,
sugestões,
temas

para um poema,
até mesmo dois
ou mais...

mas poemas não
foram feitos para serem
pensados, idealizados...

Tão pouco para
terem uma
reflexão genial,
uma lição
ou moral.

Porque se assim for,
não será um poema
e sim mais uma lição
ou moral de um mero texto
normal e/ou banal.

[30/04/2010]

Existencialismo, a existencialista!

I
Nada torna-se TUDO
Quase é CERTEZA
Preocupação, desespera até
quem não tem culpa.
As certezas vão com o vento,
tranformando-se em dúvidas...
Não há mais um equílibrio,
talvez nunca o tivesse(?).
Oscila entre os extremos
Sem saber se é ou não tudo aquilo!
Sem, necessariamente, excluir
Talvez somar...

II
O que
se sabe,
se passa,
se ouve
são meras palavras,
estas que trazem e levam
tudo aquilo que acha que foi,
tudo aquilo que
é!
[20/12/2009]
[Editada em 13/05/2010]

Em um guardanapo... (escritos - soltos viram poema)

O que mais se encontra...

Palavras
[fragmentadas
Sentidos
[confusos
Sentimentos
[falsos
Pessoas
[perdidas
E(m) si!

[Luna - 04/11/2009]