
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Nasce Paulo Leminski.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Trecho: Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
"Não deixe o samba morrer..."
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
A liberdade, sim, a liberdade!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Mané e o Sonho, por Carlos Drummond de Andrade

Mané Garrincha foi um desses ídolos providenciais com que o acaso veio ao encontro das massas populares e até dos figurões responsáveis periódicos pela sorte do Brasil, ofertando-lhes o jogador que contrariava todos os princípios sacramentais do jogo, e que no entando alcançava os mais deliciosos resultados. Não seria mesmo uma indicação de que o país, desesperado para o destino glorioso que ambicionamos, também conseguia vencer suas limitações e deficiências e chegar ao ponto de grandeza que nos daria individualmente o maior orgulho, pela extinção de antigos complexos nacionais? Interrogação que certamente não aflorava ao nível da consciência, mas que podia muito bem instalar-se no subterrâneo do espírito de cada patrício inquieto e insatisfeito consigo mesmo, e mais ainda com o geral da vida.
Garrincha, em sua irresponsabilidade amável, poderia, quem sabe?, fornecer-nos a chave de um segredo de que era possuidor e que ele mesmo não decifrava, inocente que era da origem do poder mágico de seus músculos e pés. Divertido, espontâneo, inconsequente, com uma inocência que não excluía espertezas institivas de Macunaíma - nenhum modelo seria mais adequado do que esse, para seduzir o povo que, olhando em redor, não encontrava os sérios heróis, os santos miraculosos de que necessita no dia-a-dia. A identificação da sociedade com ele fazia-se naturalmente. Garrincha não pedia nada a seus admiradores; não lhes exigia sacrifícios ou esforços mentais para admirá-lo e segui-lo, pois de resto não queria que ninguém o seguisse. Carregava nas costas um peso alegre, dispensando-nos de fazer o mesmo. Sua ambição ou projeto de vida ( se é que, em matéria de Garrincha, se pode falar em projeto ) consistia no papo de botiquim, nos prazeres da cama, de que resultasse o prezer de novos filhos, no descompromisso, afinal, com os valores burgueses da vida.
Não sou dos que acusam os dirigentes do esporte, clubes, autoridades civis e torcedores em geral da ingratidão para com Garrincha. Na própria essência do futebol profissional se instalam a ingratidão e a injustiça. O jogador só vale enquanto joga, e se jogar fino. Não lhe perdoam a hora sem inspiração, a traiçoeira indecisão de um segundo, a influência de problemas pessoais sobre o comportamento na partida. É pago para deslumbrar a arquibancada e a cadeira importante, para nos desanuviar a alma, para nos consolar dos nossos malogros, para encobrir as amarguras da Nação. Ele julga que entrou em campo a fim de defender o seu sustento, mas seu negócio principal será defender milhões de angustiados presentes e ausentes contra seus fantasmas particulares ou coletivos. Garrincha foi um entre muitos desses infelizes, dos quais só se salva um ou outro predestinado, com uma estrela na testa, como Pelé.
A simpatia nacional envolveu Mané em todos os lances de sua vida, por mais desajustaada que fosse, e isso já é alguma coisa que nos livra de ter remorso pelo seu final triste. A criança grande que ele não deixou de ser foi vitimada pelo germe da autodestruição que trazia consigo: faltavam-lhe defesas psicológicas que acudissem ao apelo de amigos e fãs. Garrincha, o encantador, era folha ao vento. Resta a maravilhosa lembrança de suas incríveis habilidades, que farão sempre sorrir quem as recordar. Basta ver um filme dos jogos que ele disputou: sente-se logo como o corpo humano pode ser instrumento das mais graciosas criações no espaço, rápidas como o relâmpago e duradouras na memória. Quem viu Garrincha atuar não pode levar a sério teorias científicas que revêem a parábola inevitável de uma bola e asseguram a vitória - que não acontece.
Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Traduzir-se Ferreira Gullar
Parafraseando a aula de OPT, Ferreira Gullar:Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
II Simpósio de Crítica de Poesia Contemporânea
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Não haverá qualquer tipo de pagamento de inscrição em dinheiro. No dia 8/11 você poderá ajudar, doando um livro de poesia em bom estado para efetivar a inscrição.
Além do evento em na universidade, teremos uma abertura solene, no auditório do museu da República, dia 8 de novembro, às 19h, com um espetáculo do grupo de poesia Vivoverso, em homenagem aos 50 anos da capital federal e ao compositor e cantor Oswaldo Montenegro, que já confirmou presença!
Divulgue nosso evento, chame os amigos, é aberto ao público!
Você poderá encontrar mais informações em nosso perfil no Twitter, @poesiaunb , ou acessando ao blog do Vivoverso http://vivoverso.blogspot.com/ !
Serviço:
II Simpósio de Crítica de Poesia Contemporânea: Olhares e lugares
Para mais informações:
Twitter: @poesiaunb
Blog: http://vivoverso.blogspot.com/
Telefone: 9247-7627 (Daniela, monitora-chefe)
[Fonte: Mais Brasília]
O perigo da BOLINHA DE PAPEL: O sensacionalismo BARATO!
SBT mostra que Serra foi atingido por bolinha de papel
http://www.youtube.com/watch?v=IZEaxdlxpVU&feature=player_embedded [Matéria do SBT]
21/10/2010 12:34, Por Redação, com Carta Maior - do Rio de Janeiro
O telejornal matinal da rede de TV SBT, nesta quinta-feira, exibe toda a sequência dos fatos ocorridos em Campo Grande, na tarde passada, e mostra que Serra foi atingido, na realidade, por uma bolinha de papel e só foi colocar as mãos à cabeça 20 minutos depois, após conversar com alguém pelo telefone. A reportagem deixa no ar se Serra teria simulado um ferimento para explorar o caso eleitoralmente.
As imagens exibidas pela SBT e a entrevista do médico oncologista Jacob Kligerman, na qual afirma não ter havido nenhuma espécie de ferimento, colocam em xeque a necessidade da suposta tomografia que o candidato tucano teria realizado.
O baixo nível da campanha presidencial, antes restrito aos boatos e mentiras divulgados pela internet, às pregações de certas igrejas e ao noticiário de parte da grande mídia – além dos programas eleitorais, é claro – chegou finalmente às ruas. Consequência inevitável. O tumulto no bairro de Campo Grande, entre simpatizantes das candidaturas de Serra e Dilma, tem que ser condenado e preocupar as coordenações das duas campanhas, pois pode se repetir e causar maiores danos para ambos. E para o país.
Entretanto, é preciso relatar os fatos como eles aconteceram, e entre os telejornais exibidos na noite desta quarta-feira 20, parece que apenas o SBT Brasil conseguiu mostrar toda sequência dos acontecimentos. Na matéria fica claro que o objeto que atingiu a cabeça do candidato foi uma simples bolinha de papel. Não foi uma pedra, nem um rolo de papel, nem um rolo de adesivos – versão final comprada pelos jornais do dia – como publicaram os principais portais de notícias, na véspera.
Segundo a matéria exibida pelo SBT, Serra percebeu que recebera o golpe do objeto e olhou para o chão para identificá-lo. Depois, prosseguiu a atividade em meio ao tumulto sem nenhum dano físico aparentar, com interrupções para entradas e saídas de uma loja e do veículo que o havia conduzido ao local. Passados 20 minutos, segundo o SBT, ele recebeu um telefonema – veja na tela – e imediatamente pôs as mãos à cabeça. Só então decidiu interromper a caminhada.
Em seguida, contou o telejornal, Serra foi levado a um hospital e submetido a uma tomografia. Na tevê, surge o médico que o atendeu, a dizer que não houve ferimento, mas que havia recomendado ao candidato repouso por 24 horas. Ato contínuo, Serra suspendeu o restante da sua agenda do dia.
[Fonte: Correio Do Brasil]
Repercussão no twitter mostra como ficamos preocupados, afinal, milhares de crianças/adolescentes se "acidentam" com bolinhas de papel!
"Pra quem diz que foi professor deveria estar acostumado a levar bolinha de papel na cabeça."
"O exame de “bolística” determinou que o projétil saiu de um chumaço de Maxprint, calibre A4."
"Quando a criançada da 5ª série descobrir que tomar bolinha de papel garante 24h de repouso vai ser uma festa"
"EU NÃO RESISTO: PT pretende ataques surpresa tipo cavalo de tróia com origami, e aéreo com aviõezinhos"
"Tão ou+ grave q a bolinha d adesivo foi o assassinato do eleitor petitsta no AC por 1 adesivo!+disso ngm fala!http://goo.gl/Cukm"
Entre tantos outros: Tags #SerraRojas #boladepapelFACT
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Trecho: Albert Camus
domingo, 4 de julho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
José Saramago (16/09/1922 - 18/06/2010)
domingo, 30 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
-
[J. Guimarães Rosa]
domingo, 16 de maio de 2010
[Alexandra Kolontai, A nova mulher e a moral sexual. São Paulo, Expressão Popular, 2007. p. 107.]
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Trecho: Arnaldo Antunes.
perde se não se acha procura se não se acha se perde se
não segura se prende se não segura se perde se não se
ganha se pede.
[As coisas. São Paulo: Iluminuras, 1998. p. 79.]
sábado, 8 de maio de 2010
Trecho: Arnaldo Antunes.
às vezes tiro o meu destino da minha mão
talvez eu corte o cabelo
talvez eu fique feliz
talvez eu perca a cabeça
talvez esqueça e cresça
[...]
talvez precise de colchão, talvez baste o chão
talvez no vigésimo andar, talvez no porão
talvez eu mate o que fui
talvez imite o que sou
talvez eu tema o que vem...
[Arnaldo Antunes]
