Euforias.
Esfria-se,
e magoada fica.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
"Diante de uma criança"
Como fazer feliz minha filha?
Não há receitas para tal.
Todo o saber, todo o meu brilho
de vaidoso intelectual
vacila ante a interrogação
gravada em mim, impressa no ar.
Bola, bombons, patinação
talvez bastem para encantar?
Imprevistas, fartas mesadas,
louvores, prêmios, complacências,
milhões de coisas desejadas,
concedidas sem reticências?
Liberdade alheia a limites,
perdão de erros, sem julgamento,
e dizer-lhe que estamos quites,
conforme a lei do esquecimento?
Submeter-se à sua vontade
sem ponderar, sem discutir?
Dar-lhe tudo aquilo que há
de entontecer um grão-vizir?
E se depois de tanto mimo
que o atraia, ele se sente
pobre, sem paz e sem arrimo,
alma vazia, amargamente?
Não é feliz. Mas que fazer
para consolo desta criança?
Como em seu íntimo acender
uma fagulha de confiança?
Eis que acode meu coração
e oferece, como uma flor,
a doçura desta lição:
dar a minha filha meu amor.
Pois o amor resgata a pobreza,
vence o tédio, ilumina o dia
e instaura em nossa natureza
a imperecível alegria.
[Poema "Diante de uma criança" de Drummond]
Oi, mundo! Oi, Blog!
Eis que nasce Maísa, dia 31 de maio de 2012,
com 2,975 kg e com 49 cm.
(Foto do dia 02 de junho de 2012 - 2 dias)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Eis que surge Maísa...
Tudo foi tão rápido... e aqui estou grávida de 7 meses de uma menina que esta vindo aí para sambalançar o mundão e que já está sambalançando toda a minha vida, Maísa - é seu nome. Pois é, apesar de já estar chegando à reta final, muita coisa ainda não foi assimilada. E sim, foi uma surpresa, não foi uma gravidez planejada (nada do termo "gravidez indesejada", agora minha filhinha saudável é o meu maior desejo), e até pelo fato de ter descoberto com mais meses (bem mais) do que imaginava está. E uma barriga que não "existia" há mais ou menos 2 meses atrás, agora está maior que o mundo e carregando um sentimento tão maior quanto ela. Lamentei tanto, chorei tanto, sofri... no início, confesso, que por estar grávida. Hoje os lamentos são outros - e quase inexistentes. Uma bebê que não estava nos meus planos, pelo menos, por uns 5 anos, agora está aqui na barriga só crescendo, vindo com mil novos planos para nossa vida.
Ontem parece que os últimos "fiozinhos" que me prendiam, e me faziam martelar muita coisa negativa, se romperam. Me sinto muito bem, e a Maísa é a maior responsável por isso. Nunca imaginei como seria ter um bebê dentro de mim, compartilhando não só alimentos, proteínas, mas sentimentos - é uma sintonia inexplicável, que só vai aumentando com o passar dos dias. Já nem consigo mais me imaginar sem ela. Ahhhh, Maísa, quero vê-la, minha menina, ser do meu ser...
Ontem parece que os últimos "fiozinhos" que me prendiam, e me faziam martelar muita coisa negativa, se romperam. Me sinto muito bem, e a Maísa é a maior responsável por isso. Nunca imaginei como seria ter um bebê dentro de mim, compartilhando não só alimentos, proteínas, mas sentimentos - é uma sintonia inexplicável, que só vai aumentando com o passar dos dias. Já nem consigo mais me imaginar sem ela. Ahhhh, Maísa, quero vê-la, minha menina, ser do meu ser...
terça-feira, 3 de abril de 2012
Mãe (Mãe solteira) - Tom Zé
Quanta sensibilidade pode caber num homem? Principalmente, se tratando de sua sensibilidade com a mãe, mãe solteira - e não digo da dele. Algo tão distante para tantos... até mesmo pela educação machista que temos, insensibilizando e distanciando homens de mulheres, criando papéis, determinando funções e reprimindo sentimentos.
E vem Tom Zé me surpreendendo mais uma vez com sua genialidade, nem preciso dizer que o acho um dos caras mais geniais, né?! E com esta composição, fiquei mais e mais encantada e fã dele.
Já gostava muito desta música, e quando a escutava borbulhavam emoções e pensamentos. Hoje então, faz ainda mais sentido... e me toca profundamente. Ele consegue expressar muito do que nós, mães, mães solteiras, sentimos, pensamos...
Impossível descrever tudo que se sente e como ela representa para mim. Posto aqui a música e a letra, escute-a não só uma vez. E se for homem, tente deixar o seu lado "macho" e deixe o som rolar...
E vem Tom Zé me surpreendendo mais uma vez com sua genialidade, nem preciso dizer que o acho um dos caras mais geniais, né?! E com esta composição, fiquei mais e mais encantada e fã dele.
Já gostava muito desta música, e quando a escutava borbulhavam emoções e pensamentos. Hoje então, faz ainda mais sentido... e me toca profundamente. Ele consegue expressar muito do que nós, mães, mães solteiras, sentimos, pensamos...
Impossível descrever tudo que se sente e como ela representa para mim. Posto aqui a música e a letra, escute-a não só uma vez. E se for homem, tente deixar o seu lado "macho" e deixe o som rolar...
Cada passo, cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino
Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão
Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando
Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem
Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação
quinta-feira, 15 de março de 2012
-
Não tem mais o que dizer e nem com quem. Palavras se repetem e fogem, já sem fazer mais sentido. O que se sente lá no fundo pouco importa no momento. O pensamento tortura, ao mesmo tempo que conforta. As divagações quando resultadas do ócio e tédio, trazem lembranças, martelam o passado, (re)mexendo em feridas que pareciam cicatrizadas. Relembram o quanto são fundas (e "infindas"), e como tudo ainda machuca. Evita-se chorar ao máximo, mas sem perceber, lágrimas escorrem pelo rosto sem querer cessar - buscando um alívio imediato para sua angústia, para sua tristeza. "Ah! se chorar resolvesse", se pelo menos aliviasse. Volta ao seu 'escudo' - incorpora uma falsa frieza, e até parece ser 'forte' para os outros/as e para si. Mesmo assim, continua sangrando... Por (vários) instantes, nada parece 'resolver' este caos "pessoal", mas ainda resta uma esperança: o tempo...
Dia após dia, um passo após o outro.
Reerguer-se!
Reerguer-se!
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